Dedicado a arte oculta e sua expressão musical. Uma expressão de nossa verdadeira identidade latente e adormecida, que clama despertar. A materialização de textos luciferianos, que nada mais deseja senão libertar. "só o conhecimento traz a liberdade".
Dedicated to a occult art and musical expression. An expression of our true identity latent and dormant, wake up crying. The materialization of texts Luciferian who want nothing more but to liberate. "Only knowledge brings freedom".
"QUE MEUS SEGUIDORES SEJAM POUCOS E SECRETOS. ELES GOVERNARÃO OS MUITOS E CONHECIDOS."
“Lucifer Prometheus” é apenas o quarto álbum da banda potiguar LORD BLASPHEMATE, que está na cena desde 1992. Mesmo em outros formatos, são poucos lançamentos do grupo, totalizando nove, com destaque para a auto-intitulada terceira demo de 1994 e o debut “The Sun That Never Dies…”, lançado em 1997.
De qualquer forma, a banda conseguiu consolidar seu nome entre os mais conhecidos do Black Metal nacional e por isso este novo disco foi muito aguardado. E, podemos dizer que esta espera valeu à pena, afinal temos aqui um trabalho digno do status da banda e que honra com louvor o estilo a que sempre apostaram.
Levando a dissecação do trabalho de uma forma diferente, esquecendo os seus antecessores, o novo disco do trio consegue transitar praticamente por todas as facetas que constroem o Black Metal, de forma natural e com que o ouvinte possa compreender isso de imediato. E tudo isso mantendo suas características, enfatizadas nos timbres secos de guitarras e na variação de andamentos, apostando em temas não muito rápidos.
De qualquer forma, temos aqui músicas violentas, com a faixa de abertura “Lucifer Prometheus Sun in Aries 0°0’0″ – Equinox“, que mesmo cheia de quebradas e viradas, externa um sentimento raivoso. “Heptarchia Mystica – The Enochians Slaves Angelicae” traz aquela angústia única do Black Metal e em seus longos dez minutos e meio, consegue passar por diversas atmosferas.
Aliás, há faixas longas aqui, mas muito bem versáteis e arranjadas, o que sempre foi característica da banda. Mencionando outras, “The Magician Hierophant of Hadit in Equinox” traz uma levada interessante e influência do Black Metal grego, enquanto “Draco Estelar Ophidian Ignea” traz uma veia Dark Metal e “Le Messe Noir – Le Psychodrame Original” mostra a banda de volta à fúria e imponente.
Com uma melodia bem definida e nada exagerada, o LORD BLASPHEMATE consegue soar ao mesmo tempo típico e inovador dentro do estilo, o que lhe dá uma identidade bem própria e sólida. A produção orgânica é outro ponto crucial, caindo bem à proposta, enquanto os temas continuam seguindo o lado místico e oculto que sempre permeou as letras da banda. A capa é belíssima e digna do trabalho, que vem em uma embalagem digipack
Uma nuvem profana paira sobre as terras do Nordeste, e de lá surge uma cena única do metal extremo nacional. Me refiro às bandas de black metal nordestino, que representam um underground autêntico, fora dos padrões sulistas e paulistanos. Toda vez que alguém me fala em black metal nordestino, tem meu interesse e atenção. Nos últimos anos, algumas bandas produziram materiais que as consagraram como titãs no underground nacional, entre elas estão: Mystifier (Bahia), Pantáculo Místico (Ceará), Hecate (Ceará), e os veteranos do Lord Blasphemate (Natal, Rio Grande do Norte), com seus 25 anos de atividade. Em abril deste ano, a Lord Blasphemate lançou seu quarto álbum de estúdio: “Lucifer Prometheus – Sun in Aries 0°0’0″ – Equinox”. Lucifer Prometheus prende a atenção desde a produção gráfica: a arte impecável por Alcides Burn, um trabalho incrível, com imagens luciferianas. Aliás, fica de cara a temática que sempre configurou a personalidade da banda: um conceitual filosófico, tratando de temas místicos e esotéricos. Tendência atual em muitas bandas de black metal “gnóstico”, como na linha lírica de Watain. Com muita personalidade, esse álbum é outro trabalho da banda que segue nitidamente a escola grega, lembrando muito a sonoridade do Rotting Christ. Um detalhe que particularmente me incomoda nas bandas atuais de black metal é o excesso de enrolação e frescura. Em Lucifer Prometheus temos um som agressivo, porém, com belas melodias de guitarra, numa pegada mais “heavy metal” clássico. O álbum é bem pelo contrário, ele “cresce” a medida que se escuta mais vezes, não caindo no desgosto. Não há frescura, mas um som agressivo de black metal bem produzido, e brilhantemente artístico. Ao longo das faixas, é construída uma atmosfera com as riffagens precisas, e orquestrações. O álbum é impressionantemente bem produzido. Os arranjos são dignos de erudição musical. Como uma banda de black metal consegue ser agressiva, crua e ao mesmo tempo orquestrada com teclados e passagens de vocal limpo? Perguntem pra Lord Blasphemate. Destaque para a faixa “Heptarchia Mystica – The Enochians Slaves Angelicae”, muito bem construída, com ousadia em apresentar tantas variações de humor e andamento ao longo de 10 minutos e meio. Lucifer Prometheus é um trabalho de qualidade superior, que se coloca num patamar de respeito no metal extremo nacional.
Lucifer Prometheus Sun in Aries o° o’ o” - Equinox
Heavy Metal Rock – Nac.
Por Leandro Nogueira Coppi
Com quase três décadas de carreira empunhando a bandeira do Metal Extremo nacional o grupo Lord Blasphemate, capitaneado pelo fundador Hellhammer (guitarra), chega agora ao seu quarto ‘full lenght’, “Lucifer Prometheus Sun in Aries o° o’ o” – Equinox”, quatro anos após lançar o álbum anterior, “Ophisophia”. E a integridade sonora da banda potiguar, que é completada por Nyarlathotep (vocal) e Znameni Diabolus (baixo, ex-Sanctifier), se mantém intacta, ainda sendo forjada por um Black Metal old school e ao mesmo tempo de atmosfera densa e refinada. O Lord Blasphemate preservou também a tradição de nomear grande parte de suas músicas, que estão mais extensas do que nunca, com títulos longos e interessantes.
E por falar em tradição, faixas como a que dá nome ao álbum, “Heptarchia Mystica – The Enochians Slaves Angelicae” e “Le Messe Noir – Le Psychodrame Original” mostram que referências de Heavy Metal Tradicional caem bem para o som do grupo. Já a extensa “The Paroketh Veil 0 the Sun of Tipharet” se destaca pelo clima épico, enquanto que “In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots”, ao longo de quinze minutos e contando com a voz agradável da convidada Jaque Moraes, e também a curta “Draco Estelar Ophidian Ignea” (que é praticamente uma balada), proporcionam uma viagem inenarrável de tão belas e sublimes. O mesmo pode ser dito em relação a derradeira versão instrumental e orquestrada para “Heptarquia Mystica – The Enochians Slaves Angelicae”.
Além da mencionada Jaque Moraes, outros convidados aparecem no álbum, casos de Johnny Rodrigues (Behatred, Infested Blood, Metômato, Ravanes, Anomalom, Avalon Symphony, Endless Solitude), que se incumbiu de gravar todas as baterias, e também de Paulo Santiago (Kataphero, Saigo Ni, Gladivis Belli, Lacryma Christi, Symetria, Twilight Fire), que além de cuidar da mixagem e da masterização, gravou samples, orquestração, guitarra solo e vozes adicionais. E algo que contribuiu positivamente para a estética desse novo álbum do Lord Blasphemate foi a belíssima arte gráfica do respeitado Alcides Burn (vocal das bandas Burn in Pain, Inner Demons Rise, Next Pain e Subinfected e artista das capas de Decomposed God, Disgrace and Terror, Evocati, Executer, Havok, Headhunter D.C., Malefactor e Queiron), que elucida bem a temática em torno do conceito de liberdade e a relação das figuras de Prometheus e Lúcifer. “Lucifer Prometheus Sun in Aries o° o’ o” – Equinox” é uma obra que enriquece não apenas a discografia do Lord Blasphemate, como a biblioteca sonora do Metal Extremo nacional.
O que dizer de uma banda formada à quase 30 anos, que tá sempre produzindo e sempre se manteve fiel à sonoridade? Esse é o Lord Blasphemate. A horda oriunda de Natal/RN, lançou em 2017 o quarto álbum oficial, intitulado “Lucifer Prometheus”, e com ele mais uma vez todo aquele clima épico que já virou marca da banda, mesmo que ao longo desses anos tenham ocorridas diversas mudança na formação. A banda continua inspirada, e a sonoridade desse novo full se mostra bem madura, simples e direta, ou seja, o black metal tradicional que todos já conhecem.
O disco inicia já inicia direto, sem intro, e com os riffs simples a lá heavy metal de “Lucifer Prometheus Sun in Aries 0°0’0″ – Equinox”, esse som tem uma pegada simples, mas com algumas mudanças de andamento a medida que avança. Já a longa “Heptarchia Mystica – The Enochians Slaves Angelicae” começa agressiva e vai alternando com bases leves, a presença atmosférica do teclado dá um toque sombrio, esse som é longo e dispõem de ótimos arranjos. “The Paroketh Veil 0 The Sun of Tipharet” é misteriosa e carregada de clima, melodias sinistras e cheia de arranjos. A curta e bela “Draco Estelar Ophidian Ignea” o destaque vai para os vocais que variam bastante e tornaram esse som surpreendente. E ainda destaco “In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots”, o que se ouve é uma riqueza imensa de arranjos, em seus 15 minutos a canção é lenta, quase arrastada e com uma boa melodia, atmosfera densa e o encaixe de vocais femininos, literalmente uma viagem astral. Ao todo o disco traz 08 faixas, onde todas merecem atenção.
Mais uma vez o Lord Blasphemate se destacou em meio a tantos lançamentos em 2017, esse sem dúvida é um dos melhores trabalhos lançados esse ano. Tudo tá perfeito: produção impecável (como deveria ser, pois é preciso destacar tudo o que a banda propõe sonoramente), a magnitude das composições, a belíssima arte de capa feita pelo renomado artista pernambucano Alcides Burn... Enfim, é um disco que não pode faltar na coleção de quem aprecia um metal extremo bem feito. Mais um grande lançamento da Heavy Metal Rock.
Músicas:
1. Lucifer Prometheus Sun in Aries 0°0’0″ - Equinox
2. Heptarchia Mystica - The Enochians Slaves Angelicae
3. The Magician Hierophant of Hadit in Equinox
4. The Paroketh Veil 0 The Sun of Tipharet
5. Draco Estelar Ophidian Ignea
6. In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots
7. Le Messe Noir - Le Psychodrame Original
8. Heptarquia Mystica - The Enochians Slaves Angelicae (orchestral version)
Lord Blasphemate: “Lucifer Prometheus – Sun In Aries 0º 0′ 0″ Equinox” Publicado: 18/01/2018 por Pedro Mello em News, Uncategorized Tags:Lord Blasphemate, News, Resenhas, Resenhas CD's 0 cid_6E5705A1A764466691B8893A66AE30D7@WiltonPC-600x600.jpg
Enviado pela Heavy Metal Rock, nossa mais nova parceira, recebemos esta semana o álbum “Lucifer Prometheus – Sun In Aries 0º 0′ 0″ Equinox”, da Lord Blasphemate. Mais uma promissora banda do Nordeste brasileiro.
“Lucifer Prometheus…” é o quarto trabalho da banda e traz um Black Metal bem trabalhado, sem soar maçante ou enjoativo. O trabalho é primoroso, e os responsáveis por esta bela obra são os músicos Znameni (Baixo), Hellhammer (Guitarras) e Nyarlathotep (Vocais).
O trabalho foi lançado no modelo digipack e traz na capa, brilhante por sinal, arte de Alcides Burn, representando bem o conceito do título do álbum, uma co-relação entre os mitos de Lúcifer e Prometheus, assim como, a conceitualização da liberdade em suas histórias.
No campo da música, são 8 pérolas que totalizam 62 minutos de duração. A mistura de peso e riffs melódicos por parte das guitarras são animais, em alguns momentos podemos perceber até algumas nuances do que poderíamos chamar de “progressivo”.
O registro é pesado e por vezes complexo, os destaques ficam para ‘Heptarchia Mystica – The Enochians Slaves Angelicae’, que ainda ganha uma belíssima versão orquestrada ao fim do álbum, a cadenciada ‘The Magician Hierophant of Hadit in Equinox’ e a balada intimista, se podemos chamar assim, ‘Draco Estelar Ophidian Ignea’.
Neste trabalho, o Lord Blasphemate, deixa claro para os ouvintes, que é um grande nome do Metal Extremo brasileiro, não devendo nada a nomes como Behemoth, Satyricon ou Rotting Christ. Black Metal refinado e muito bem feito, como poucos. Altamente recomendado. Nota: 10.
1 – Lucifer Prometheus Sun in Aries 0°0’0″ – Equinox 2 – Heptarchia Mystica – The Enochians Slaves Angelicae 3 – The Magician Hierophant of Hadit in Equinox 4 – The Paroketh Veil 0 The Sun of Tipharet 5 – Draco Estelar Ophidian Ignea 6 – In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots 7 – Le Messe Noir – Le Psychodrame Original 8 – Heptarquia Mystica – The Enochians Slaves Angelicae (Orchestral Version)
LORD BLASPHEMATE (Brasil) ‘’Lucifer Prometheus - Sun in Aries 0º 0´´ 0` - Equinox’’ CD 2017 (Heavy Metal Rock Records) Por: Tiago Siqueira - AKKELDAMA ZINE
Uma banda que possui 25 anos de estrada e continua fiel aos seus atributos e propósitos originais, não obstante a evolução natural é algo raro a se comemorar no underground brasileiro! O Lord Blasphemate é uma dessas bandas agraciadas com a maturidade acompanhada da fidelidade a sua arte!
Para coroar esse 1/4 de século Hellhammer, a mente criativa por trás da banda lançou esse verdadeiro clássico do Metal brasileiro nos dias atuais! O álbum é um tratado Thelêmico dividido em 8 composições em homenagem ao Arquétipo Luciferiano, sob a ótica da Lei de Thelema, assunto o qual Hellhammer é um alto iniciado e domina com maestria! Musicalmente percebe-se que houve um apuro imenso em relação ao processo de criação e composição, com o álbum dando aquela impressão de ser uma obra conceitual. A obra em si se sobressai e muito em relação ao álbum ‘’Ophiosophia’’ de 2012. Temos aqui um Black Metal com muitas melodias, peso, influências orquestrais e aqueles típicos riffs que remetem a sonoridade do Black Metal grego dos anos 90, marca registrada da música do Lord Blasphemate, que por si só já é autêntica e independente artisticamente falando! Gravação e produção muito bem cuidadas! É o trabalho mais burilado e lapidado da banda até então! Agradará em cheio aos fãs antigos e conquistará uma nova leva de seguidores! A cópia que adquiri foi a digipack. Que senhora arte contida na apresentação! Coisa de primeiro mundo!!! Acompanha encarte com letras e imagens herméticas de tirar o fôlego! Um dos maiores lançamentos nacionais da última década!
LORD BLASPHEMATE – LUCIFER PROMETHEUS (Heavy Metal Rock – 2017)
Logo de cara a primeira impressão foi marcante no que tange a arte gráfica do quatro álbum da banda Lord Blasphemate; digipack com três abas e uma concepção artística primorosa do veterano e talentoso designer gráfico Alcides Burn (parceiro você mais uma vez realiza uma grande obra, não é a toa que o atual logo do meu selo e portal foi obra de sua mente criativa). E “casando” perfeitamente todo o conceito lírico ora abordado pela banda, o qual foca na mitologia grega do titã Prometeu – eis o motivo do título, o qual ainda traz a figura do anjo decaído mais famoso da história, Lúcifer.
Musicalmente a banda dá um show à parte, Black Metal bem na escola grega, guardando certa similaridade com os primórdios do Rottting Christ, contudo não tire conclusões apressadas achando que a o LB é um seguidor ou mera cópia, longe disto – bastante. Uma referência apenas, a qual é no meu entender bem singular e com uma riqueza musical que me deixou ainda mais atônito e a sensação de orgulho de ter um material de primeira grandeza em mãos, cena brasileira cacete. Uma densa áurea soturna e mórbida com melodias na medida certa, nem mais nem menos e que tem resultado sonoro excelente.
Produção impecável, sem pompas, crua e pesada e com tudo soando redondo. Tornando ainda mais prazeroso a audição do track list de cabo a rabo, o qual me deu a impressão de ter sido construído para traçar um gradiente sonoro, o qual nos puxa e foca nossa atenção sem nos atrapalhar na contemplação da obra TODA! Não sei se estou abstraindo demais, mas foi esta impressão que me causou, se não foi intencional paciência mas me trouxe esta sensação.
Parabéns Lord Blasphemate, inteligentes, talentosos e que com honra, honestidade traçam uma trajetória sólida e compatível com seus ideais. Este old banger convida os metalheads para apreciar e ter este precioso material em vossos acervos. Item mui valioso!!!
Maldito, infame, opositor, rival... Assim Ele foi descrito ao longo da História. Tingido e retratado pelos mais diversos elementos bestiais, sua imagem serviu aos mais variados propósitos: Foi o maior amigo da Igreja e quem mais contribuiu para o crescimento de sua religião de “amor pelo temor”. Foi o bode expiatório dos libertinos e rebeldes. O álibi de assassinos e trânsfugas e o arquétipo junguiano da psicologia obscura dos homens. Uma exteriorização da bestialidade humana, que depositando em Sua imagem a justificativa de seus atos animalescos, anestesia assim, sua consciência da responsabilidade pelos seus próprios atos. Ao perpassar dos séculos, sua imagem serviu de esteio aos que insurgiam-se contra a opressão teocrática do papado romano. Dos que enxergavam em sua desobediência, a voz muda da rebeldia ao absolutismo monárquico dos séculos XVI-XVII, representado na máxima miltoniana do “Non Serviam”. Aos burgueses e aristocratas, que por trás de suas máscaras corníferas, transigiam a moral vigente, num grito de liberdade, que só o anteparo da imagem diabólica possibilitaria a transgressão. Aos beatniks e hippies dos anos 50-60, que redescobriram na magia negra a busca pelo autoconhecimento e a imersão em seu subconsciente, para revelar as novas posturas comportamentais da era aquariana. Até aos músicos de Black Metal, que não obstante o desvirtuamento de alguns a vil adoração, serviu de base para o aprofundamento filosófico, como busca de respostas as angústias existenciais. “Diabolu in Versus”, apresenta uma coletânea de poemas, cujo o tema não poderia ser outro, senão o Diabo e que suas idiossincrasias perpassam todo o universo histórico, político, social e religioso descrito acima. Hellhammer T.M.T Magus VI
Lord Blasphemate - Lucifer Prometheus, Sun In Aries 0º0’0 (2017)
Lord Blasphemate - Lucifer Prometheus, Sun In Aries 0º0’0 (2017) (Heavy Metal Rock - Nacional)
01. Lucifer Prometheus Sun in Aries 0°0’0″ - Equinox 02. Heptarchia Mystica - The Enochians Slaves Angelicae 03. The Magician Hierophant of Hadit in Equinox 04. The Paroketh Veil 0 The Sun of Tipharet 05. Draco Estelar Ophidian Ignea 06. In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots 07. Le Messe Noir - Le Psychodrame Original 08. Heptarquia Mystica - The Enochians Slaves Angelicae (Orchestral Version)
O underground nunca é justo, e as dificuldades com as quais as bandas se deparam são imensas. Imagine então a luta para se manter uma banda por 25 anos na estrada. Surgido no Rio Grande do Norte, o Lord Blasphemate passou por muita coisa nessas duas décadas e meia, mas que lhe valeram o respeito dos fãs de Metal e um posto mais do que merecido entre os principais nomes do Black Metal no Brasil. Por sinal, seu debut, The Sun That Never Dies… (97), tem vaga fácil em qualquer lista de melhores do estilo lançados por aqui, tamanha sua qualidade. Ainda assim, esse é apenas seu 4º álbum completo de estúdio. Sem dúvida uma injustiça.
Quem conhece o trabalho do Lord Blasphemate sabe exatamente o que encontrará aqui. Agora, caso você faça parte dos que ainda não têm familiaridade com a banda, se prepare para escutar um Black Metal forte, pesado, agressivo, mas com boas melodias e uma certa dose de melancolia. Em nível de comparação, seguem a escola grega do estilo, que gerou grupos como Rotting Christ, Varathron, Nightfall, Thou Art Lord, Necromantia, dentre outros ótimos nomes, mas sua música é carregada de personalidade e os nomes citados acima servem apenas como referência ao prezado leitor para se localizar minimamente quanto ao que encontrará aqui.
Os vocais aqui ficaram por conta de Nyarlathotep, que já havia participado de 2 trabalhos anteriores da banda, o CD Ophisophia (13) e o EP Opus Gnosticum Satannae (14), e soam excelentes, bem variados. Nesse ponto, ainda contam com os vocais adicionais de Paulo Santiago (Kataphero), também responsável pelos samples, orquestrações e guitarra adicional, e Jaque Moraes, que faz os vocais femininos presentes em “In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots”. As guitarras do batalhador Hellhammer, único integrante original ainda presente, fazem um belo trabalho, despejando ótimos riffs e criando um clima bastante soturno em boa parte do tempo. Já a parte rítmica, com o baixista Znameni (ex-Sanctifer) e o baterista convidado Johnny Rodrigues (Infested Blood), realiza um trabalho primoroso, técnico e bem diversificado.
O Lord Blasphemate não é dessas bandas que investem na velocidade. Ela até pode se fazer presente aqui e ali, mas sua música tem como marcas a cadência e as muitas mudanças de tempo. Isso já fica bem claro na soturna faixa de abertura, “Lucifer Prometheus Sun in Aries 0°0’0″ - Equinox” com bons riffs e melodias (reparem como as guitarras possuem boa influência de Metal Tradicional), mudanças de andamento e um teclado muitíssimo bem encaixado. O resultado disso é soturno. De forma alguma podemos deixar de citar as épicas “Heptarchia Mystica - The Enochians Slaves Angelicae”, com partes velozes e que esbanjam rispidez, “The Paroketh Veil 0 The Sun of Tipharet”, essas duas na casa dos 10 minutos, e “In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots”, com seus mais de 16 minutos de duração, clima melancólico, e ótimo trabalho vocal. Já “The Magician Hierophant of Hadit in Equinox” possui uma pegada mais tradicional, enquanto “Le Messe Noir - Le Psychodrame Original” soa bem agressiva. “Draco Estelar Ophidian Ignea” é bem curta, com pouco mais de 2 minutos e pende para o Dark Metal, com ótimas melodias e belíssimo trabalho vocal, enquanto a última faixa é uma versão orquestrada da 2ª música do CD.
Gravado no Sonora Studio, entre 2015 e 2016, Lucifer Prometheus, Sun In Aries 0º0’0 possui uma produção totalmente condizente com a proposta da banda. Pesada, seca e bem crua, soa bem orgânica, mas tendo deixado todos os instrumentos bem claros e audíveis. A parte gráfica, uma das mais belas que vi esse ano e que vem embalada em um digipack de 3 abas muito caprichado, é mais um grande trabalho de Alcides Burn (https://www.burnartworks.com/), que já trabalhou com bandas como Nervochaos, Krisiun, Rebaelliun, Keep Of Kalessin, Blood Red Throne, Headhunter D.C., dentre muitas outras.
Com uma música pesada, muito bem-arranjada e diversificada, agressiva, mas que não abre mão das melodias que a fazem soar tão soturna e melancólica, o Lord Blasphemate presenteia os fãs de Black Metal com mais um belo trabalho, que honra seus 25 anos de história e deixa mais do que claro o porquê de serem uma das principais bandas de Black Metal do Brasil. Imperdível!
Participações: - Johnny Rodrigues (bateria) - Paulo Santiago (samples, orquestrações, vocal na faixa 5, guitarra e vocal na faixa 6) - Jaque Moraes (vocal na faixa 6)
Lord Blasphemate: “Lucifer Prometheus, Sun In Aries 0º0’0″ – Equinox” (2017, Heavy Metal Rock) NOTA:10,0
A banda Lord Blasphemate sempre foi intelectualmente diferenciada dentro do cenário metálico nacional, praticando um Black Metal trabalhado, com melodias obscuras e agressividade requintada. Oriunda de Natal, capital do Rio Grande do Norte, estão na ativa desde 1992, tendo presenteado a cena extrema nacional com ao menos um clássico indiscutível em 1997, o irrepreensível “The Sun That Never Dies…”, primeiro full lenght da banda, construído sobre um Black Metal adornado por orquestrações, vocais femininos, violinos, flautas e violões.
Ali, naquele primeiro álbum, já estava cravada, de modo menos lapidado, a habilidade artística elevada da banda, brilhantemente apresentada em “Lucifer Prometheus, Sun In Aries 0º0’0″ – Equinox”, seu novo e quarto full lenght, onde manuseiam com muita originalidade as formas mais soturnas e obscuras do metal extremo, saindo da zona de conforto do Black Metal ao ousar em arranjos esmerados, construídos por melodias próximas ao Heavy Metal mais tradicional, junto a orquestrações (à cargo de Paulo Santiago, que também cuidou dos samples e algumas linhas de guitarra), teclados, e instrumental diversificado que se entrelaçam de modo natural à agressividade e rispidez, ao longo das constantes variações de andamentos.
O Lord Blasphemate sempre foi uma banda intelectualmente diferenciada dentro do cenário metálico nacional, praticando um Black/Heavy Metal trabalhado, com melodias obscuras e agressividade requintada, chegando às raias do desenvolvimento erudito, principalmente pelo temor emanado de cada movimento de sua marcha agressiva e imperiosa…
Ou seja, temos uma manufatura Black/Heavy Metal, que mescla todas as abordagens de sua inquieta discografia, chegando ao máximo equilíbrio, e já impressionando pelo cuidadoso trabalho gráfico (à cargo de Alcides Burn) num belíssimo digipack, refletindo o requinte musical que a música extrema do Lord Blasphemate atingiu, aos meus ouvidos só comparável à excelência apresentada pelo Therion em álbuns como “Vovin” (1998)e “Deggial” (2000).
Mas muito cuidado, não estamos dizendo que a banda grega é uma das influências deste trabalho do Lord Blasphemate, que tem sim ascendências da cena grega, mas voltada a bandas como Rotting Christ e Nightfall, em suas passagens climáticas, linhas soturnas, e morbidez melódica. Completando as perceptíveis referências temos os pilares Bathory, Venom, e Hellhammer que permeiam qualquer desdobramento do gênero.
Confira a faixa “The Paroketh Veil – The Sun of Tipharet”…
Nesta direção, o trio potiguar, completado por Znameni (baixo), Hellhammer (guitarra) e Nyarlathotep (vocais), chega às raias do desenvolvimento erudito, principalmente pelo temor emanado de cada movimento de sua marcha agressiva e imperiosa, principalmente nos riffsmultifacetados, que transmitem grandiosidade e agressividade na mesma medida, passeando pelas escolas mais extremas, mas também trazendo desenhos harmônicos comuns ao Occult Rock/Metal (ouça “The Magician Hierophant of Hadit in Equinox”), além dos vocais rasgados, e das linhas vigorosas de bateria registradas por Johnny Rodrigues (Infested Blood).
A música engendrada pela banda, que explora tons experimentais, principalmente nas composições mais longas, ganhando ainda mais intensidade e dramaticidade, pela produção orgânica, pesada, e crua, permitindo detalhar cada movimento e artifício harmônico do trabalho, que deixa a catarse do Black Metal de lado, promovendo uma investigação mais cerebral do gênero, emoldurando, ainda, um conceito ocultista da relação entre as figuras de mítico-filosóficas de Lúcifer e Prometeu.
Como bem vimos no texto “LÚCIFER: Uma Entidade do Mal ou o Portador da Luz?”, publicado aqui mesmo no site (confira-o aqui), se nos desatarmos dos grilhões dos dogmas religiosos, enxergaremos similaridades em personagens mitológicos como Lúcifer e Prometeu (além de Shemyaza e Kukulkan) que poderiam ser apenas nomes para a mesma entidade que realmente proporcionou à humanidade o abandono da ignorância intelectual.
Confira a faixa “Lucifer Prometheus Sun in Aries 0°0’0″ – Equinox”…
Em suma, a mitologia nos conta que o titã Prometeu, pertencente a uma raça de gigantes que habitou a Terra antes dos homens, e seu irmão Epimeteu foram responsáveis por dar aos homens e aos demais animais, todas as faculdades necessárias para sua preservação. Prometeu, com a ajuda de Minerva, subiu ao céu e acendeu sua tocha no sol, roubando o fogo dos deuses e o trazendo para o homem, que garantiria sua superioridade perante os outros animais. O fato de que Prometeu roubara a luz dos deuses, e que Lúcifer seria o “Portador da Luz”, seria apenas uma das várias coincidências que não podem ser ignoradas nesta correlação.
Toda esta mística ocultista não é novidade na imagética da banda, tendo seu ápice no EP “Opus Gnosticum Satannae” (2014), que tem sua existência fortemente ligada à Cabala, e onde chegaram a usar frequências inspiradas nos tradicionais rituais dos monges tibetanos, com o poder de alterar o estado de consciência do ouvinte, além de uma introdução com a voz de Aleister Crowley, só pra citarmos alguns dos elementos.
Confira a faixa “In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots”…
Neste panorama, as sete composições de “Lucifer Prometheus, Sun In Aries 0º0’0″ – Equinox” (a oitava é uma versão orquestral para “Heptarchia Mystica – The Enochians Slaves Angelicae”) são a perfeita harmonização de todos os ingredientes que tornam a música do Lord Blasphemate grandiosa e diferenciada dentro do Metal Nacional, principalmente por faixas memoráveis como “Lucifer Prometheus Sun in Aries 0°0’0″ – Equinox” (que abre o álbum de modo instigante), as épicas “Heptarchia Mystica – The Enochians Slaves Angelicae” (que dá um dinamismo erudito ao Metal Extremo), “The Paroketh Veil – The Sun of Tipharet” (de linhas vocais instigantes, instrumental cadenciado e clima macabro) e “In Astral Journey Through of Kingdom of the Quliphots” (dona de uma melancolia diferenciada, contrastada por angelicais vocais femininos de Jaque Moraes), além da curta, mas impecável ” Draco Estelar Ophidian Ignea”.
Este álbum coloca o Lord Blasphemate na linha de frente da vanguarda do Black Metal nacional, pois mostram muita maturidade como compositores, tendo total domínio da forma que querem dar à sua obra, indo além da experiência musical, se encontrando num padrão de qualidade à nível internacional.